quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Minha homenagem a uma grande amiga - APRENDIZADO

Minhas Descobertas nestes últimos 12 meses
Maria Regina Pacheco Conceição


(1) A Saúde Pública tem solução – Parabéns e obrigada à Equipe do ICESP, pelo respeito, carinho e competência no tratamento que minha mãe recebeu nestes últimos 12 meses.
Este elogio se estende a todos da equipe: começando pelo pessoal do estacionamento que mesmo com aquela loucura de carros, ambulâncias, todos chegando na mesma hora, eles sempre conseguem dar um jeitinho para que tudo se resolva da melhor maneira.
Às recepcionistas e seguranças, que sempre nos ajudaram a montar e desmontar a cadeira de rodas.
Às ascensoristas que estão sempre com um sorriso no rosto, seja no 4º subsolo ou no 22º andar; à equipe da radioterapia - eles são maravilhosos; ao pessoal da recepção, que tenta fazer o agendamento da melhor forma e o mais importante: está sempre à disposição para nos ajudar e dar as informações necessárias; à equipe que trabalha na Farmácia; ao pessoal da limpeza; à equipe que faz a reposição das maquinhas de café e biscoitos - foram muitos dias e noites tomando chocolate e sopa de mandioquinha. Dica útil para quem frequenta o ICESP: tenha sempre moedas na bolsa.
Espero não ter esquecido de ninguém e aqui vai um agradecimento especial a todos os enfermeiros, médicos residentes e seus chefes, à Dra. Renata Eiras, ao Dr. Toshio e toda a equipe de Cuidados Paliativos, à equipe do C.A.I.O , aos técnicos, aos enfermeiros, aos médicos. A única crítica: coloquem mais médicos no plantão do pronto-socorro. Às vezes ficamos meio agoniados com a demora no atendimento e nesse hospital sabemos que todos os pacientes são importantes .
Senhores Governantes, o ICESP não pode parar, tem que estar crescendo sempre, evoluindo e principalmente se multiplicando. O Brasil precisa de hospitais assim e o Brasil precisa de muitos hospitais. Nós, brasileiros, precisamos de respeito, vocês sabem como fazer (ex.: ICESP). Então façam.
(2) O Câncer
Pois é, as pesquisas continuam e todos estamos na torcida para que a cura seja descoberta. Enquanto isso, temos que conviver com essa doença... e ela dói. Seja para quem está se tratando, seja para quem acompanha o paciente. Muitas vezes tem cura, muitas vezes não tem... e não existem culpas (quando se tem o tratamento adequado). O importante nesse processo é valorizar a vida e não a doença. A dor a que me refiro não é do tumor, do tratamento, é uma dor na alma e essa dor transforma, ela nos transforma num Ser Humano melhor, um Ser Humano com mais amor à vida e às pessoas. Enquanto a cura definitiva não chega, vamos prestar atenção na transformação que essa doença é capaz de fazer e vamos crescer, amadurecer e principalmente amar mais.

(3) O Cigarro
Sou fumante e quero me transformar numa ex-fumante... é difícil... muito difícil, mas é possível. Prometo que, se conseguir, volto para contar.
Se o cigarro é o grande vilão, se ele é o causador do câncer, não sei e não posso afirmar, não tenho conhecimento para isso. Eu acredito que são muitos os fatores que desencadeiam o câncer , entre eles pode estar o cigarro.
Independente do câncer, o cigarro faz mal, faz muito mal, além do cheiro horroroso que tem... E este é o depoimento de uma fumante que pretende em breve se tornar uma ex-fumante.
(4) Os Idosos
Eles são lindos, dóceis, frágeis, dão trabalho, temos que organizar nossas vidas, o dia a dia, para poder dar a atenção, o carinho que eles merecem, não é fácil, mas é possível. Eles têm uma história, eles participam e/ou participaram ativamente da nossa história. Eles merecem, antes de qualquer coisa, nosso respeito, nosso amor e muito, muito carinho.
(5) Cuidador de Idosos – a profissão
Deve ser regulamentada. Nesse período conheci muitas pessoas e profissionais fantásticos, mas também levei muitos sustos, conheci pessoas despreparadas, sem noção de nada, se intitulando uma cuidadora profissional, etc., etc. Nossos idosos precisam de respeito, amor, eles estão vivos e são alegres. Essa profissão tende a crescer. Hoje os filhos, netos, sobrinhos trabalham e precisam de alguém ou de um lugar para cuidar de sua mãe, de seu pai, dos avós, tios e tias... alguém ou um lugar que tenham pessoas e profissionais que os tratem com respeito e amor .
(6) A Burocracia / o INSS também merece um elogio
Parece uma atitude meio materialista, fria, mas é uma dica importante... fazer uma procuração: a burocracia existe e precisamos estar preparados. Fazia muito tempo que eu não ia a um Posto do INSS. Precisei organizar uma série de coisas em função da doença da minha mãe e levei um susto maravilhoso... entrei no posto do INSS na Av. Vital Brasil (pena que não me lembro do nome da atendente) e fui atendida por uma profissional de uma maneira maravilhosa: educada, atenciosa, treinada, fala bem , orienta corretamente... enfim, fui atendida por uma profissional, no INSS e fiquei encantada. Este País tem solução. Tem muita coisa para se fazer, muito trabalho, mas ele tem solução.
(7) O Serviço Funerário
Não vou entrar no mérito de quanto custa morrer neste país - sobre o preço dos caixões ou das flores, mas preciso registrar o descaso com os velórios municipais. Srs. Governantes, os mortos, seus parentes e amigos também merecem respeito. Não precisamos de luxo, mas precisamos de instalações adequadas, de respeito.
Minha mãe faleceu dia 15/10/12, aos 81 anos. Lutou bravamente contra um câncer no pulmão e não perdeu a batalha... apenas entendeu e respeitou o seu tempo aqui na terra. Sua passagem foi tranquila e linda, com muito amor, exatamente como ela era.
Mãe, com você só aprendi coisas maravilhosas, com a sua doença aprendi mais coisas maravilhosas, e espero ter me tornado um Ser Humano melhor. Na verdade tudo é muito simples e o amor é o segredo de tudo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Controle? Controle de quem?

Escrevi esse texto já faz algum tempo, quando o PCC tomou conta de SP e assustou a todos. Achei em meio a meus documentos e arquivos penso que ainda posso compartilhar, pois apesar de não estarmos mais na mira do PCC, a linda cidade de SP ainda é um problema....


Quem nasceu e cresceu na cidade de São Paulo, aprendeu a amar suas maravilhas, seus monumentos, seu trânsito e até o estresse que seu ritmo intenso causa. Morar no interior do estado foi opção por uma vida mais tranqüila, e certamente menos intensa.

Aos finais de semana, retornar a São Paulo e andar pelas marginais atravessando a gigante de luz e observando o frenesi dos bares, restaurantes, cinemas e teatros, faz o paulista se lembrar que está em casa e matar a saudade.

Os faróis estão cada vez mais lotados de crianças e os viadutos atualmente se transformaram em casas para várias famílias, os cachorros continuam presos nas carroças, o desnível social é grande, mas a cidade continua linda, com as fontes do Ibirapuera dançando coloridas e as pessoas caminhando como se estivesses num oásis de tranquilidade.

Assistir Willian Bonner, as margens do Rio Pinheiros, transmitindo o “Jornal Nacional” dramático de 15 de maio, foi um momento de profunda tristeza e pesar. Aquela São Paulo tão cheia de vida, luz, desenvolvimento, crescimento, lazer, cultura, estava triste, escura e os paulistas apavorados, trancados em suas casas tentando proteger sua vida, sua dignidade.

O Brasil e o mundo pararam para assistir à fragilidade da gigante. As imagens nos escandalizam e percebemos que o maior centro industrial e comercial do Brasil está à beira do caos por ordem de marginais.

Um sentimento estranho toma conta de todos, uma mistura de medo, impotência e a vontade de gritar chega... chega de maltratar nosso povo, nossa cidade, nosso pais.... na noite de domingo morreram mais pessoas em São Paulo do que no Iraque que está em guerra.
O que está acontecendo então se não estamos em guerra? O Sr. Governador do estado pode nos dizer onde que a situação está sob controle? Controle de quem?



Cassia Gargantini é jornalista com especializações em Marketing, Relações Públicas, Responsabilidade Social, mestranda em Multimeios pela Unicamp (Universidade de Campinas). Atualmente coordena o Curso de Comunicação Social na FAM e é proprietária da Gargantini Comunicação, agência especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Já conheci pais heróis e pais Herodes

O herói é aquele que pode tudo, que enche os olhos do filho de sonhos e brilho, que mata a barata, que põe o bicho papão pra fora do quarto escuro e que potencializa conquistas e vitórias. Vai ao cinema, joga vídeo game, veste bonecas, faz almoço, pega na escola , conversa, compra absorvente e remédio pra cólica, camisinha e digamos, leva o garoto ao urologista com orgulho. Revive momentos da infância tentando montar pipas, tenta pentear o cabelo fininho e colocar lacinhos, dança, canta e alegra os momentos angustiantes da criança, do adolescente, do filho adulto.

Herodes, ao contrário, e me desculpem a analogia, é o pai egoísta, uma cruel e presunçosa presença durante o crescimento do filho, disfarçado de rei da casa. Não, o Herodes não precisa bater na mãe para ser cruel, basta fazer comentários perniciosos á presença do filho, ter uma conduta e um caráter comprometido e sutilmente encher os filhos de presentes caros para se livrar de suas responsabilidades, além de desejar acima de tudo que ele seja sua imagem e semelhança. Tolher sentimentos e vontades, esmagar sonhos e não acreditar naquele que gerou e que tem por obrigação ensinar a ser um ser humano decente.

Em tempos de constantes mudanças e aceleração do crescimento, herói é aquele que privilegia a infância e acolhe a cada fase da vida, tendo sempre dentro de si a criança desperta para rir e chorar quando é preciso. Herodes é o carrasco que libertinamente e de maneira subjetiva, induz ao crescimento rápido, pois lhe é mais conveniente.

Passaria por aqui em inúmeras linhas descrevendo minhas impressões sobre pais e suas posturas, mas esse não é o objetivo desse texto. Quero sim, privilegiar, honrar e agradecer aos pais heróis.

Tenho um exemplo disso em casa. Um homem que me mostrou o caminho e que a cada dia me faz repensar se estou agindo com dignidade, mesmo à distância. Um herói para minha vida e para vida daqueles que me conhecem. Um ser humano que cumpre a cada dia sua função mais importante na vida : educar, incentivar, rir e chorar. Obrigada meu pai!


Texto dedicado à Guilherme Gargantini - Meu herói hoje e sempre