Bob Pickard, da Burson-Marsteller (Ásia-Pacífico)
Bob Pickard, presidente da Burson-Marsteller Ásia-Pacífico, mora atualmente com a família em Cingapura, onde empresas multinacionais estão, cada vez mais, instalando seus escritórios regionais.
Já viveu também em Tóquio e Seul e tem, portanto, conhecimento de sobra para nos contar um pouco mais sobre o trabalho do PR no Japão e na Ásia e para dar dicas: “pausas e reflexões durante as conversas são mais comuns, especialmente no Sudeste Asiático”.
Bob Pickard, da Burson-Marsteller
Em entrevista ao PR Interview, Bob fala também sobre as instituições de ensino: “As universidades coreanas de elite têm programas de pós-graduação em PR (até mesmo doutorado especializado na área), mas no Japão PR não recebe o mesmo foco, a mesma importância”.
Acompanhe a seguir os principais trechos desta entrevista:
PR Interview: Como o PR trabalha na Ásia?
Bob Pickard: A principal diferença entre os PRs da Ásia e do Ocidente está na forma e na estratégia de comunicação e também no fato de que na Ásia há uma maior ênfase para a consolidação de relacionamento com as partes interessadas. Quando se trata dos fundamentos da construção de uma plataforma de PR – identificar as partes interessadas, trocar informações, criar comunidades de interesse comum -, a comunicação na Ásia é consistente com a que vemos em outras partes do mundo. Há, é claro, algumas particularidades. Os asiáticos, por exemplo, dão muita ênfase ao contexto das comunicações diferenciadas. Já os americanos priorizam mais o assunto. Pausas e reflexões durante as conversas são mais comuns, especialmente no Sudeste Asiático, e, em alguns casos, são interpretadas de forma equivocada pelos executivos do Ocidente.
PR Interview: Falando especificamente do Japão, quais são as particularidades deste país?
Bob Pickard: No Japão, as agências de comunicação estão protagonizando uma considerável modernização. O Mixi, equivalente ao Facebook, é uma das comunidades em que os assessores de imprensa constroem relacionamentos e comunidades. Mas, neste país, os jornais diários continuam a reinar, principalmente os de grande circulação. Na imprensa tradicional, o PR tem um grande desafio: atualizar o banco de dados e manter os relacionamentos. Isso porque a cada dois anos, em média, os repórteres trocam de áreas.
PR Interview: Neste contexto, o que um estrangeiro deve saber sobre a Ásia?
Bob Pickard: Um estrangeiro, acima de tudo, precisa entender que na Ásia há muita diversidade, com considerável diferença cultural entre China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia. Existe também uma grande diferença dentro destes países. Cada mercado precisa, portanto, de uma comunicação customizada com estratégias baseadas em evidência ao invés de suposições.
PR Interview: Focando agora nas universidades asiáticas, pode-se afirmar que elas preparam os alunos para a área de PR?
Bob Pickard: Varia muito de país para país. De lados opostos, estão Japão e Coreia. As universidades coreanas de elite têm programas de pós-graduação em PR (até mesmo doutorado especializado na área), mas no Japão PR não recebe o mesmo foco, a mesma importância. Então, como você pode imaginar, o treinamento dentro de uma agência japonesa torna-se mais importante.
PR Interview: Para finalizar, como você avalia a participação dos asiáticos na social media?
Bob Pickard: Cada país tem a sua particularidade. Para desenvolver ações, é preciso entendê-las. O Orkut, por exemplo, é popular na Índia; o Mixi no Japão; e Cyworld na Coreia. Os sites de buscas também têm penetração diferente nos países asiáticos. O Yahoo é mais forte no Japão; e o Google em vários países. Na Coréia, dominam os sites de buscas nacionais.
fonte: http://printerview.wordpress.com/
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
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