sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Controle? Controle de quem?

Escrevi esse texto já faz algum tempo, quando o PCC tomou conta de SP e assustou a todos. Achei em meio a meus documentos e arquivos penso que ainda posso compartilhar, pois apesar de não estarmos mais na mira do PCC, a linda cidade de SP ainda é um problema....


Quem nasceu e cresceu na cidade de São Paulo, aprendeu a amar suas maravilhas, seus monumentos, seu trânsito e até o estresse que seu ritmo intenso causa. Morar no interior do estado foi opção por uma vida mais tranqüila, e certamente menos intensa.

Aos finais de semana, retornar a São Paulo e andar pelas marginais atravessando a gigante de luz e observando o frenesi dos bares, restaurantes, cinemas e teatros, faz o paulista se lembrar que está em casa e matar a saudade.

Os faróis estão cada vez mais lotados de crianças e os viadutos atualmente se transformaram em casas para várias famílias, os cachorros continuam presos nas carroças, o desnível social é grande, mas a cidade continua linda, com as fontes do Ibirapuera dançando coloridas e as pessoas caminhando como se estivesses num oásis de tranquilidade.

Assistir Willian Bonner, as margens do Rio Pinheiros, transmitindo o “Jornal Nacional” dramático de 15 de maio, foi um momento de profunda tristeza e pesar. Aquela São Paulo tão cheia de vida, luz, desenvolvimento, crescimento, lazer, cultura, estava triste, escura e os paulistas apavorados, trancados em suas casas tentando proteger sua vida, sua dignidade.

O Brasil e o mundo pararam para assistir à fragilidade da gigante. As imagens nos escandalizam e percebemos que o maior centro industrial e comercial do Brasil está à beira do caos por ordem de marginais.

Um sentimento estranho toma conta de todos, uma mistura de medo, impotência e a vontade de gritar chega... chega de maltratar nosso povo, nossa cidade, nosso pais.... na noite de domingo morreram mais pessoas em São Paulo do que no Iraque que está em guerra.
O que está acontecendo então se não estamos em guerra? O Sr. Governador do estado pode nos dizer onde que a situação está sob controle? Controle de quem?



Cassia Gargantini é jornalista com especializações em Marketing, Relações Públicas, Responsabilidade Social, mestranda em Multimeios pela Unicamp (Universidade de Campinas). Atualmente coordena o Curso de Comunicação Social na FAM e é proprietária da Gargantini Comunicação, agência especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Já conheci pais heróis e pais Herodes

O herói é aquele que pode tudo, que enche os olhos do filho de sonhos e brilho, que mata a barata, que põe o bicho papão pra fora do quarto escuro e que potencializa conquistas e vitórias. Vai ao cinema, joga vídeo game, veste bonecas, faz almoço, pega na escola , conversa, compra absorvente e remédio pra cólica, camisinha e digamos, leva o garoto ao urologista com orgulho. Revive momentos da infância tentando montar pipas, tenta pentear o cabelo fininho e colocar lacinhos, dança, canta e alegra os momentos angustiantes da criança, do adolescente, do filho adulto.

Herodes, ao contrário, e me desculpem a analogia, é o pai egoísta, uma cruel e presunçosa presença durante o crescimento do filho, disfarçado de rei da casa. Não, o Herodes não precisa bater na mãe para ser cruel, basta fazer comentários perniciosos á presença do filho, ter uma conduta e um caráter comprometido e sutilmente encher os filhos de presentes caros para se livrar de suas responsabilidades, além de desejar acima de tudo que ele seja sua imagem e semelhança. Tolher sentimentos e vontades, esmagar sonhos e não acreditar naquele que gerou e que tem por obrigação ensinar a ser um ser humano decente.

Em tempos de constantes mudanças e aceleração do crescimento, herói é aquele que privilegia a infância e acolhe a cada fase da vida, tendo sempre dentro de si a criança desperta para rir e chorar quando é preciso. Herodes é o carrasco que libertinamente e de maneira subjetiva, induz ao crescimento rápido, pois lhe é mais conveniente.

Passaria por aqui em inúmeras linhas descrevendo minhas impressões sobre pais e suas posturas, mas esse não é o objetivo desse texto. Quero sim, privilegiar, honrar e agradecer aos pais heróis.

Tenho um exemplo disso em casa. Um homem que me mostrou o caminho e que a cada dia me faz repensar se estou agindo com dignidade, mesmo à distância. Um herói para minha vida e para vida daqueles que me conhecem. Um ser humano que cumpre a cada dia sua função mais importante na vida : educar, incentivar, rir e chorar. Obrigada meu pai!


Texto dedicado à Guilherme Gargantini - Meu herói hoje e sempre